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Eles não querem pensar

Todo homem tem um ponto forte, alguma coisa que sabe fazer melhor que qualquer outra coisa. Muitos homens, contudo, jamais encontram o emprego para o qual estão mais preparados. E muitas vezes porque não pensaram direito. Muitos homens deixam-se levar pela preguiça e aceitam qualquer emprego, adequado ou inadequado para eles; quando não se dão bem, culpam a todos e a todos, menos a si mesmos.

Os queixosos são quase sempre pessoas insignificantes, homens pequenos que jamais fizeram esforço algum para melhorar sua capacidade mental.

O cérebro pode ser desenvolvido assim como os músculos podem ser desenvolvidos; basta fazer o esforço de treinar o cérebro a pensar. Por que tantos homens jamais chegam a ser alguma coisa? Porque não pensam.

Vou colocar placas em toda a minha fábrica, com os dizeres: “ Não há expediente ao qual o homem não recorra para esquivar-se do verdadeiro trabalho de pensar. ”

Isso é verdade. Não se passa um dia sem que eu não descubra quão penosamente verdadeiro é isto.

Que progressos as pessoas poderiam fazer, e que progressos o mundo poderia fazer, se ao pensar fosse dada a merecida atenção!  A mim me parece que nem um homem em mil avalia o que poderia ser feito quando se treina a mente a pensar.

Por não usarem o seu poder de raciocínio é que tantas pessoas jamais desenvolveram uma mentalidade respeitável. Quando não é usado, o cérebro enferruja. Quando solicitado, o cérebro responde. O cérebro é como qualquer outra parte do corpo: pode ser fortalecido por meio de exercício adequado. Coloque seu braço numa tipóia e mantenha-o lá por um tempo considerável. Quando tirá-lo da tipóia, você perceberá que não consegue mais usá-lo. Da mesma forma , o cérebro que não é utilizado fica atrofiado.

Ao desenvolver seu poder de raciocínio você aumenta a capacidade do cérebro e adquire novas habilidades. Por exemplo, o cérebro da pessoa comum não assimila a milésima parte do  que o olho observa, simplesmente deixa de registrar as coisas que se apresentam ao olho. É inacreditável como é fraco o nosso poder de observação- a genuína observação.

Permitam-me dar-lhes um exemplo: quando desenvolvemos o sistema de iluminação incandescente tínhamos uma fábrica de lâmpadas ao pé de um morro, em Menlo Park. Foi um período de muita atividade para todos nós. Setenta e cinco pessoas trabalharam 20 horas diariamente e tiveram poucas horas de sono – e prosperaram.

Eu os alimentei e coloquei um homem tocando órgão enquanto trabalhávamos. Certa vez, no meio da noite, enquanto fazíamos uma refeição, surgiu algum assunto que me levou a mencionar a cerejeira ao lado do morro entre as instalações principais e a fábrica de lâmpadas. Ninguém parecia saber nada sobre a localização da cerejeira. Isso me fez conduzir uma pequena investigação e descobri que, embora 27 desses homens tivessem usado esse caminho todos os dias durante seis meses, nenhum jamais percebera a árvore.

O olho vê muitas coias, mas o cérebro médio registra pouco dessas coisas. De fato, ninguém tem a mínima percepção de quão pouco o cérebro “vê” a menos que tenha sido altamente treinado. Lembro-me de ter parado para observar um homem cuja tarefa era controlar o funcionamento de centenas de máquinas sobre um mês. Perguntei-lhe se estava tudo bem.

“Sim, está tudo bem”, disse ele.

Mas eu já havia notado que duas máquinas haviam parado. Chamei sua atenção para o fato e ele ficou atormentado.

Ele confessou que, embora sua única tarefa fosse controlar o adequando funcionamento de cada máquina, não havia reparado que aquelas duas haviam parado. Se eu pudesse passaria o resto da vida pensando. Não preciso de ninguém para me entreter. Isso também ocorre com meus amigos John Burroughs, o naturalista, e Henry Ford, mecânico nato. Somos capazes de obter enorme satisfação do ato de pensar, pensar e pensar.

O homem que não se decide a cultivar o hábito de pensar desperdiça o maior prazer da via. Não apenas perde o maior prazer, como não consegue aproveitar o máximo de si mesmo. Todo o progresso, todo o sucesso, floresce do pensamento.

Thomas Alva Edison

Bibliografia

“Eles não querem pensar” in The diary and assundry observations de Thomas Alva Edison. The Philosophical Library, 1948 – Tradução Ruth Gabriela Bahr – Os Gênios dos Negócios, Elsevier 2004

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